Na última segunda-feira (20), a vereadora Lourdes Matias (Novo) usou a tribuna da Câmara Municipal de Bombinhas para trazer ao conhecimento da população um questionamento que considera urgente: o sistema de videomonitoramento do município, que custa quase R$ 800 mil somente em 2026, está de fato funcionando?
A pergunta ganha peso diante de um episódio recente que mobilizou a cidade: duas viaturas do DEMUTRAN foram incendiadas, e até o momento nenhum autor foi identificado ou preso.
A resposta oficial da Prefeitura
Em setembro de 2025, o gabinete da vereadora encaminhou à Prefeitura um Pedido de Informações sobre o sistema de videomonitoramento municipal. As perguntas incluíam: quantas câmeras estão instaladas e onde, quais estão em funcionamento, quais estão inoperantes e quais os custos do sistema.
Em 1º de outubro de 2025, a Prefeitura respondeu por meio do Ofício nº 241, informando que “atualmente, todas as câmeras de videomonitoramento instaladas no Município encontram-se em pleno funcionamento, não havendo registros de equipamentos inoperantes no presente momento.”
O que aconteceu depois
Nos meses seguintes à resposta oficial, os crimes de furto se intensificaram em Bombinhas. A população passou a relatar com frequência que câmeras de segurança não estavam funcionando — constatação que se repetiu no momento da apuração dos próprios crimes.
Se todas as câmeras estavam operacionais, por que não auxiliaram na identificação dos criminosos?
Com base nos dados do portal de transparência, os empenhos em nome da empresa Coringa Comércio e Representações de Equipamentos Eletrônicos de Segurança totalizaram quase R$ 800 mil até junho de 2026, referentes à locação de equipamentos de videomonitoramento. Um valor que, segundo a vereadora, a população tem o direito de saber se está sendo cumprido a contento.
Ofício à Polícia Civil
No dia 23 de junho de 2026, o gabinete da vereadora protocolou o Ofício Gabinete N.º 0002/2026 diretamente na Delegacia de Polícia Civil de Bombinhas, solicitando:
- Relatório das ocorrências policiais registradas no município, especialmente crimes contra o patrimônio (furtos, roubos, danos), com identificação de datas, horários e locais;
- Informação sobre se houve utilização de imagens do sistema de videomonitoramento municipal em cada ocorrência, e se tais imagens estavam disponíveis e adequadas à identificação de autoria;
- Indicação dos casos em que não foi possível acessar imagens ou em que o sistema não contribuiu para a elucidação dos fatos.
O objetivo, conforme explicado pela vereadora na tribuna, é cruzar câmera por câmera os locais das ocorrências com a resposta oficial da Prefeitura — e verificar se o sistema estava efetivamente operacional naqueles pontos e naqueles momentos.
“A população merece segurança real”
Ao encerrar seu pronunciamento na Câmara, a vereadora foi direta:
“A população de Bombinhas merece segurança real. E merece saber se o dinheiro público que financia esse sistema está produzindo resultado ou apenas aparência de resultado.”
Confira o pronunciamento completo da vereadora Lourdes Matias na tribuna da Câmara Municipal de Bombinhas, na sessão de segunda-feira, dia 20 de junho de 2026.